Aumenta número de brasileiros das classes C e D concluintes de curso superior

Matrículas nos cursos de nível superior a distância registrou, de 2009 a 2015, crescimento de 66%, com aumento de 90% na rede privada

O Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) lançou nesta segunda-feira (28/8), em São Paulo, estudo que mostra um quadro detalhado da educação superior no país. Segundo o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2017, aumentou a proporção de alunos concluintes no ensino superior privado nas faixas de renda inferiores a três salários mínimos e de jovens pertencentes as classes C e D na comparação com o estudo anterior.

O aumento do número de formandos chegou a 4,7 pontos percentuais na faixa com renda familiar de até 1,5 salário mínimo, ou seja, 13,5% dos formados, e de 3,4 pontos percentuais na faixa entre 1,5 e 3 salários mínimos, o que representa 26,8%, a maior parcela dos concluintes do ensino superior. “A ampliação da oferta pela rede privada e os programas sociais, principalmente o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), trouxe realmente uma classe nova, que é a classe C, para dentro do ensino superior, e você já tem os primeiros reflexos, quando os dados de 2013, 2014 e 2015”, destaca o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato. Para ele, o crescimento econômico do início da década também foi um fator determinante. “Junto a isso, a economia vinha num crescente, e a classe C, em ascendência, de forma que essas pessoas começaram a ingressar no ensino superior”, ressaltou.

O mapa também mostra que o número total de concluintes de cursos presenciais no Brasil aumentou de 9,3% de 2014 a 2015 (eram 841 mil e passaram a 919 mil em 2015), e o número total de concluintes nos cursos a distância cresceu 23% de 2014 a 2015 (eram 190 mil e passaram a 234 mil).

O estudo revela ainda que os cursos mais procurados pelos estudantes, por faixa etária, nas instituições de ensino superior privado no Brasil em 2015 foram os presenciais de direito (765 mil matrículas), administração (506 mil) e engenharia civil (300 mil). No mesmo período, se for considerada a faixa etária até 24 anos, os mais procurados foram direito, administração e engenharia civil. Já na faixa etária de 25 a 44 anos, os cursos presenciais mais buscados foram direito, administração e enfermagem e, na faixa etária acima de 45 anos, os preferidos foram direito, pedagogia e psicologia.

Nos cursos presenciais, a maioria dos alunos matriculados (52,3%) está na faixa etária de 19 a 24 anos – na rede pública, o percentual é de 57,8% e, na rede privada, de 50,1%. A faixa de 25 a 29 anos também contempla um número considerável de alunos, chegando a 20%. A evolução das matrículas nos cursos de nível superior a distância registrou, de 2009 a 2015, crescimento de 66%, com aumento de 90% na rede privada e uma queda de 26% na rede pública. No período de 2014 a 2015, o crescimento na rede privada chegou a 5,2% (1,20 milhão de matrículas para 1,26 milhão). Já na rede pública ocorreu uma queda de 7,9% nas matrículas (eram 139 mil em 2014 e reduziram para 128 mil em 2015).

Empregabilidade

Segundo o estudo, a empregabilidade está aumentando entre os que têm ensino superior completo. De 2014 a 2015, os postos de trabalho para quem tem curso superior cresceram 1,5%, chegando a 9,7 milhões de empregos em 2015. No ensino médio, o crescimento chegou a apenas 1% e, no ensino fundamental, houve uma queda de 3% na empregabilidade. Para Capelato, quem tem um diploma de ensino superior nas mãos tem mais chances no mercado de trabalho. “No momento de boom econômico, quem tem escolaridade superior é o que mais consegue emprego e aumento no salário. E, em momento de crise, é o que menos sofre com desemprego”, avalia o diretor executivo do Semesp.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Estágios (Abres), em 2015, o número de estagiários no Brasil chegou a 1 milhão, sendo 260 mil com ensino médio completo ou ensino técnico completo e 740 mil, do nível superior. Segundo a associação, esse dado mostra que apenas 2,7% dos alunos matriculados no ensino médio e técnico fazem estágio. No ensino superior, o percentual chega a 9,2%. Conforme o levantamento, o maior número de vagas oferecidas é para estudantes de administração (16,8%), direito (7,3%), comunicação social (6,2%), informática (5,2%), engenharias (5,1%) e pedagogia (4,2%).

Em 2016, a média geral da remuneração paga a um estagiário brasileiro ficou em R$ 965. Para quem está no ensino médio, R$ 606; no médio técnico, R$ 762; no superior, R$ 1,1 mil; e no superior tecnológico, R$ 998. Já a remuneração média total do trabalhador brasileiro em 2015 ficou em R$ 2,6 mil. A média de remuneração de quem tem ensino superior completo foi R$ 5,7 mil. Para quem tem ensino médio completo, a renda média chegou a R$ 1,9 mil e, para os que têm ensino fundamental completo, a R$ 1,6 mil.

Desenvolvido desde 2011, o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2017 retrata fielmente o panorama do ensino superior brasileiro em 2015 (período mais recente disponível), comparando os dados estatísticos com os da edição anterior.

 

 

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Mais Médicos: Cuba, Bolívia y otras cositas más…

Edson Machado

Faz mais de um século! Na realidade foi no ano 1910 que veio à tona o mais contundente relatório sobre o estado do ensino de medicina nos Estados Unidos. Patrocinado pela Fundação Carnegie, o relatório foi elaborado por Abraham Flexner, um professor de escola secundária que não era médico. Depois de conhecer os sistemas de ensino de outros países, Flexner concluiu que o alemão era o mais eficiente. Ao definir critérios e procedimentos para avaliar os cursos médicos nos Estados Unidos, Flexner se baseou nos conteúdos e métodos adotados nas escolas germânicas. Por esses padrões dentre as 155 escolas americanas então existentes muito poucas seriam consideradas adequadas. Pouco tempo depois, apenas cerca de 30 escolas sobreviveram. As que encerraram atividades tinham uma característica em comum: eram escolas particulares e isoladas, isto é, não ligadas a uma universidade.

Cerca de sessenta anos depois, após intensos debates na sociedade e no governo, o Ministério da Educação instituiu uma Comissão do Ensino Médico, composta de insignes professores da área, com a finalidade de avaliar a situação do ensino médico e as condições de funcionamento das escolas então existentes – cerca de 70 entre públicas e privadas. Em 1971 a Comissão fez entrega do seu primeiro relatório, contendo cuidadosa apreciação do processo de expansão da rede de ensino e avaliação da precariedade das condições de oferta dos cursos, examinando separadamente os ciclos básico e profissional, neste incluído a situação dos hospitais e serviços de apoio.

Embora interrompidos por algum tempo, os trabalhos da Comissão ainda geraram mais dois relatórios, o último datado de 1976.

Do ponto de vista histórico, vale a pena reler os relatórios da Comissão, pelo menos para constatar que as avaliações e recomendações de então não divergem das opiniões dos analistas sérios de hoje. Lamentável é que essas opiniões não sejam compartidas pelos dirigentes encastelados na alta administração governamental. A mais recente “novidade” é esse tal programa Mais Médicos, que conseguiu a aberração de tornar lei o que não passa de um muito esquisito arranjo entre governos, brasileiro e cubano, com a incrível intermediação de um organismo internacional. Algum dia alguém irá nos contar o que está por trás desse sórdido arranjo.

O que se sabe, porque é público, é que Cuba descobriu que “exportar” mão- de- obra semi-qualificada para países em crise é um ótimo negócio. Verdadeiras fábricas de diplomas supostamente equiparáveis aos concedidos por instituições sérias de outros países foram montadas para formar essa nova mercadoria de exportação. Este é o caso dos “médicos” agora sendo enviados aos magotes para o Brasil, mas que já passearam prestando seus serviços por vários outros países, que se saiba, realmente bem mais necessitados do que o Brasil. Parece que entre esses profissionais alguns já estão fazendo desses estágios no exterior um meio de vida e uma fonte de divisas para os Castros.

Já a vizinha Bolívia encontrou uma estratégia diferente: em vez de exportar bolivianos, importar brasileiros! Os números agora são impressionantes – são milhares de brasileiros matriculados em escolas de medicina na Bolívia. Mas essa prática teve início anos atrás, para quem se lembra, vem do tempo dos excedentes dos vestibulares brasileiros. O curioso é que, segundo a lei, esses brasileiros formados na Bolívia não poderão participar do Mais Médicos pela simples razão de o nosso vizinho precisar mais de médicos do que o Brasil. Então é assim: importamos cubanos porque eles não são necessários lá, e exportamos brasileiros para a Bolívia que deles necessita. Tem lógica, não tem?

Um argumento importante do governo brasileiro para trazer algumas centenas de cubanos e de outras nacionalidades é que os médicos brasileiros não se sujeitam a ficar em localidades subdesenvolvidas, mas os estrangeiros sim. É de perguntar se os brasileiros que se sujeitam a estudar na Bolívia não aceitariam as mesmas condições oferecidas aos estrangeiros para trabalhar nos rincões do Brasil. Eles, por certo, receberiam as mesmas bolsas sem precisar dividi-las com o governo, como terão que fazer os extorquidos cubanos. Com a vantagem de que estaríamos dando um emprego a brasileiros.

Comparando- se os números: 6.000 cubanos que viriam para o Brasil e 25.000 brasileiros que já estão na Bolívia, daria com folga para resolver o problema do nosso ministro da saúde ao mesmo tempo que daria um fôlego ao camarada Evo. Com um bom planejamento, talvez ainda poderíamos enviar alguma ajuda ao vizinho Paraguai que deve sofrer das mesmas carências. Enfim, estaríamos disseminando o modelo SUS para países amigos da América Latina com as saudações da srª Dilma. Quer mais para 2014? Aguarde o próximo capítulo desse enredo.

Brasil precisa construir 39 bibliotecas escolares por dia até 2020

O Brasil precisa construir 128 mil bibliotecas escolares em sete anos para cumprir uma lei federal que vigora desde 2010. Isso significa que deveriam ser erguidos, até 2020, 39 espaços por dia, em unidades de ensino públicas e particulares.

Os dados são de um levantamento do Todos Pela Educação que usou como base o Censo Escolar 2011, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O recorte contempla escolas de Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação Profissional e Educação Especial.

João Bittar/MEC

Apesar de a lei obrigar todos os tipos de rede de ensino a ter bibliotecas, é na pública que reside o maior déficit. Os dados revelam que, das 128 mil bibliotecas que ainda não existem, 113.269 deveriam ser construídas em escolas municipais, estaduais e federais. Ou seja, 34 por dia até 2020.

O desafio é ainda maior se observada a situação das redes municipais. Hoje, apenas 19% das 123.609 escolas municipais apresentam biblioteca em 2011. Já no caso da rede estadual, a situação é um pouco melhor e essa taxa sobe para 59,6%. “Um dos grandes absurdos é que muitas escolas foram construídas sem biblioteca depois da vigência da lei”, afirma Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação.

Sobre a lei

A Lei 12.244, sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirma que todas as instituições de ensino, públicas e privadas, devem contar com bibliotecas em suas estruturas no prazo máximo de dez anos. O texto considera como biblioteca escolar “coleção de livros, materiais em vídeo e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura” e afirma que a profissão de bibliotecário deve ser respeitada.

Além disso, a lei ainda exige, em cada acervo, um mínimo de um título para cada aluno matriculado na unidade de ensino e que os sistemas de ensino tomem decisões quanto à ampliação e conservação das peças. As informações são do site Todos Pela Educação.

Educação receberá benefícios com os Jogos Olímpicos no Brasil

O secretário de educação básica do Ministério da Educação, Romeu Caputo, disse nesta quarta-feira, 30, em Brasília, que os investimentos para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro terão reflexo na infraestrutura do esporte nas escolas. Caputo fez palestra a gestores públicos municipais, no Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, na qual previu benefícios para a educação com o legado olímpico.

O secretário também falou sobre parceria entre os ministérios da Educação e do Esporte para a criação, ainda em 2013, dos Jogos Escolares de Atletismo. A competição seguirá os moldes da Olimpíada da Língua Portuguesa, com etapas intraescolares, municipais, estaduais e uma final nacional. “Os jogos contarão com alunos de 12 a 17 anos, em provas de corridas e saltos e servem como iniciação esportiva”, disse.

No Encontro Nacional de Novos Prefeitos e Prefeitas, Caputo participou, ao lado do presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Carlos Freitas, de oficina na qual foram apresentados o Plano de Ações Articuladas (PAR) e o sistema de compras por meio de registro de preços nacional (RPN). Durante a oficina, os prefeitos puderam tirar dúvidas sobre o plano e o sistema.

O PAR, planejamento em educação de cada município, contempla iniciativas de gestão, formação, práticas pedagógicas e infraestrutura escolar. A adesão ao plano pelas prefeituras é fundamental para permitir o acesso a programas do MEC. O registro de preços nacional é uma forma de reduzir as despesas dos municípios ao aproveitar o poder de compra em escala do governo federal. Além do custo reduzido, as compras pelo registro são mais ágeis, uma vez que não há necessidade de fazer nova licitação. Informações do Ministério da Educação.

Campus Party 2013

Campus Party

A Campus Party, maior acontecimento tecnológico do mundo, já começou em São Paulo e segue até o dia 3 de fevereiro. Criada há 16 anos na Espanha, a feira está na sexta edição e reúne nerds, empresários, estudantes, pesquisadores e muitas outras pessoas que querem discutir inovação, ciência, cultura e entretenimento digital.

Durante toda a semana, quem visitar o espaço vai poder conferir uma programação com diversas oficinas, cursos, brincadeiras e palestras, entre elas a do fundador da Atari, Nolan Bushnell.

Campus Party. Foto: Fernanda Luz

O ex-astronauta Buzz Aldrin, segundo homem a pisar na Lua, foi um dos convidados desta terça-feira (29). Aldrin participou da lendária missão Apollo 11, ao lado de Neil Armstrong e Michael Collins, em 1969.

Serviço:

Campus Party

Data: de 28 de janeiro a 03 de fevereiro de 2013.

 Local: Anhembi Parque, São Paulo/SP (Avenida Olavo Fontoura, 1.209).

Informações: www.campus-party.com.br

Professor estrangeiro pode?

Por Edson Machado

Sim, pode.  Pena que perdemos a prática de recrutar mestres estrangeiros para o corpo docente de nossas melhores universidades. Nos anos 50 e 60 chegamos a ter um escritório na Europa com o objetivo de identificar e recrutar possíveis candidatos. O governo então concedia facilidades para a entrada e instalação de novos intelectuais imigrantes. Antes disso, a Universidade de São Paulo (USP) já tinha uma experiência exitosa recrutando nos anos 30 mestres franceses e italianos que ajudaram a implantar a universidade criada em 1934. Nos anos 70 e 80, poucas universidades públicas andaram se arriscando a um movimento semelhante. A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por exemplo, contratou um bom número de indianos que obtiveram seus doutorados na Inglaterra. Já a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de Brasília (UnB) tiveram experiências diferentes: atraíram e recambiaram cientistas brasileiros que estavam fixados no exterior.

O “Ciência sem Fronteiras” está criando uma ótima abertura para uma nova investida brasileira nesse campo. Na realidade, a ideia é fomentar o intercâmbio, isto é, “estrangeiros para cá e brasileiros para lá”! Nestes tempos, quando nossas universidades já formam um número razoável de mestres e doutores, essa “troca” faz muito sentido. O ilustre professor Roberto Meneghini, em artigo recente na “Folha de São Paulo”, argumentou com muita propriedade sobre a importância de o Brasil marcar presença num processo mais intenso de intercâmbio de pesquisadores/docentes.

Brasil ainda tem 1,4 milhão de crianças de 4 e 5 anos fora da escola

 Agência Brasil

 

Até 2016, o Brasil tem a obrigação de incluir todas as crianças de 4 e 5 anos na escola. A tarefa não será fácil: de acordo com relatório lançado esta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), há 1.419.981 crianças nessa faixa de idade que não estão matriculadas no sistema de ensino. Uma emenda constitucional aprovada em 2009 ampliou a faixa etária em que a frequência à escola é obrigatória. Antes, apenas a população de 7 a 14 anos tinha que estar necessariamente matriculada no ensino fundamental, mas a partir de 2016 o ensino obrigatório irá cobrir desde a pré-escola até o ensino médio (dos 4 aos 17 anos).

O relatório Todas as Crianças na Escola em 2015 – Iniciativa Global pelas Crianças Fora da Escola – baseou-se em estatísticas nacionais, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2009. O estudo é uma parceria do Unicef com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação. No total, cerca de 3,7 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos estão fora da escola no Brasil. A maior defasagem é na pré-escola e no ensino médio, já que entre os brasileiros de 6 e 14 anos o grupo que não frequenta a escola é menor, cerca de 730 mil.

Entre os brasileiros de 4 e 5 anos que não estão matriculados nos sistemas de ensino, a maior parte é negra – 56% do total. A renda também é um fator que influencia o acesso à educação. Enquanto 32% das crianças de famílias com renda familiar per capita de até um quarto do salário mínimo estão fora da escola, apenas 6,9% daquelas oriundas de famílias com renda superior a 2 salários mínimos per capita estão na mesma situação. Os números indicam que a frequência ainda insuficiente de crianças de 4 e 5 anos está relacionada, muitas vezes, à falta de vagas na rede pública. Por isso, no grupo com renda um pouco maior (dois salários per capita), o percentual de crianças fora da escola é menor, já que nesse caso a família acaba optando por pagar uma escola particular.

 

Para Maria de Salete Silva, coordenadora do Programa de Educação do Unicef no Brasil, o desafio é grande, mas algumas iniciativas governamentais, como o Proinfância, que tem a meta de construir 6 mil creches em todo o país até 2014, são respostas interessantes ao problema. “A última política do governo, o Brasil Carinhoso, prioriza as família abaixo da linha da pobreza no acesso à escola e ataca exatamente essa desigualdade”, aponta.

 

A representante do Unicef ressalta, entretanto, que o maior desafio está “na outra ponta” da educação básica. O relatório diz que 1.539.811 adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Nesse caso, os problemas de frequência não estão tão relacionados à falta de vagas, mas ao desinteresse da população nessa faixa etária pelo ensino médio. Para muitos jovens já envolvidos com o mercado de trabalho, a escola é pouco atrativa. “Isso requer uma mudança muito grande no ensino médio. Estamos com a maior população de adolescentes da história do Brasil, a gente não pode perder isso e esperar para resolver na próxima geração porque está condenando o país a ter milhões de adultos sem formação escolar”, avalia Salete.

 

Segundo ela, não será necessário apenas ampliar as vagas para incluir os jovens que estão fora da escola, mas torná-la mais atrativa para a realidade deles. “Você precisa trazer o aluno e incorporar na escola aquilo que é parte do projeto de vida deles. A escola está longe da vida dos adolescentes”, aponta.

Para incluir toda a população de crianças e jovens ainda fora da escola, o estudo aponta como uma das medidas necessárias a ampliação dos recursos para a área. O Unicef apoia a meta de investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) que está em debate no Congresso Nacional. “A gente discorda de quem acha que o problema da educação no Brasil não é dinheiro, mas gestão. Nós temos problemas sérios de gestão, mas só com os recursos que temos hoje não conseguimos fazer tudo que é necessário: incluir todos na escola, ter qualidade, professor bem remunerado e capacitado, escola com boa infraestrutura. O desafio é enorme”, argumenta.

 

O secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), César Callegari, destaca que o governo federal tem lançado diversas ferramentas para ampliar o acesso de crianças à pré-escola. Entre elas, cita o Programa Nacional de Reestruturação e Aparelhagem da Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância), que prevê a construção de 5,5 mil creches e pré-escolas, o Brasil Carinhoso, que reforça a transferência de renda e fortalece a educação com aumento de vagas nas creches, e o Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo), que oferece apoio técnico e financeiro aos estados e municípios para implementação da política de educação do campo.

 

Callegari lembra que entre as preocupações do governo também está o aumento da qualidade do ensino para tornar a escola mais atrativa a jovens e adolescentes. Lembra ainda que o MEC investe anualmente mais de R$ 1,5 bilhão em material didático, livros e jogos para melhorar o suporte educacional a essa faixa etária. O secretário informou que a pasta está elaborando uma proposta de inovação curricular para aumentar o interesse de jovens de 15 a 17 anos que ainda estão no ensino fundamental e acabam abandonando as salas de aula porque, por terem repetido o ano, têm que conviver com crianças mais novas. Segundo ele, as medidas, que ainda serão discutidas com estados e municípios, só devem ser anunciadas no ano que vem.

O secretário defendeu a ampliação dos investimento em educação, principalmente com a utilização de recursos provenientes dos royalties do pré-sal. “Eles serviriam para valorizar e remunerar melhor os professores, melhorar as condições físicas das escolas, com laboratórios e bibliotecas, e o atendimento a crianças e jovens com deficiência”. A educação básica conta hoje com repasses que correspondem a 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Brasil sedia a 2ª. Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

O Brasil sediará a 2ª. Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (OMCPLP) entre os dias 20 e 28 de julho, em Salvador (BA). O evento é uma iniciativa que envolve a participação de jovens estudantes, de até 18 anos, que foram selecionados para representar, junto aos seus professores, os oito países de expressão portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné–Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

O Brasil será representado pelos estudantes Daniel Santana Rocha do Rio de Janeiro (RJ), Daniel Lima Braga de Eusébio (CE), Murilo Corato Zanarella de Amparo (SP) e Victor Oliveira Reis de Recife (PE), todos premiados na 33ª Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).

A equipe brasileira será liderada pelos professores Marcelo Mendes de Oliveira de Fortaleza (CE) e Guilherme Philippe Figueiredo de São Paulo (SP).

O evento é uma organização conjunta do Departamento de Matemática da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e conta com o apoio do ConselhoNacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), da Fundação do Amparo a Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Matemática (INCTMat).

A competição, realizada pela primeira vez na cidade Portuguesa de Coimbra em 2011, contou com a participação de 23 estudantes representantes de apenas seis países de língua oficial portuguesa. Na oportunidade, o Brasil conquistou um total de quatro medalhas, sendo duas de ouro, uma de prata e uma de bronze, ficando com a primeira colocação entre os países participantes.

Informações no site  www.2omcplp.com.br

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