Por que é preciso repensar as técnicas de ensino da matemática?

Começou nesta segunda-feira (23) a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Até domingo (29), governos, escolas, universidades, centros de pesquisa, empresas e organizações da sociedade civil vão promover eventos em todo o país com a finalidade de chamar a atenção dos brasileiros para a importância da produção científica em várias áreas, da educação à economia. Este ano, o tema da SNCT é “A matemática está em tudo”. Na avaliação educacional internacional Pisa, o desempenho de estudantes na disciplina foi o pior entre as habilidades analisadas (também são medidos o conhecimento em ciências e a capacidade de leitura). Na última edição, em 2015, a nota do país em matemática foi 377, menor do que na edição anterior, em 2012, quando chegou a 389. No ranking mundial dessa disciplina a partir da Pisa 2015, o Brasil ficou em 66º lugar. Desta forma, um dos intuitos da SNCT é mostrar como a matemática faz parte do cotidiano das pessoas. Mas como transformar o ensino desta disciplina interessante?

É bastante comum vermos pessoas afirmando que não gostam de matemática. Provavelmente, você conhece várias – e pode até mesmo ser uma delas. Claro, não há problema algum em não ter afinidade com a matemática (ou com qualquer outra área do conhecimento). A questão é que, muitas vezes, esse desinteresse é causado pela forma como o conteúdo nos é ensinado e isso faz com que muitos estudantes se distanciem dessa ciência sem sequer terem a chance de conhecê-la com mais profundidade. Professor da University of Frankfurt, David Kollosche pesquisou, na Alemanha, as razões desse distanciamento, quais seus riscos e como esses estudantes se sentem com relação à matemática. Ele apresentou seu estudo, intitulado Auto-exclusion in mathematics education (auto-exclusão na educação matemática), no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, no fim de setembro. Apesar de ter sido aplicado na Alemanha, o professor afirma que os resultados obtidos na pesquisa podem ser semelhantes em outros lugares do mundo. Segundo ele, o medo que muitos estudantes estabelecem com a matemática pode até resultar em uma relação de dominação. “Um grande grupo de pessoas aprende que a matemática não é para elas. Silenciar pessoas dessa forma pode servir como função sociopolítica e econômica”, afirma.

David esteve no ICMC em setembro e apresentou os resultados de sua pesquisa sobre auto-exclusão na matemática – Foto: Alexandre Wolf – Fonte: Jornal da USP

Em sua pesquisa, realizada com 199 estudantes do ensino fundamental, ele constatou que mais de um terço dos estudantes têm uma relação negativa com a matemática. Essa negatividade pode levar à chamada auto-exclusão, que inclui três categorias de distanciamento do aluno da educação matemática: a exclusão física, quando o aluno deixa de ir às aulas; a passividade intelectual, quando ele apenas “passa” pelas aulas; e a de incapacidade, que é quando o estudante assume que não tem habilidade matemática.

Com o questionário aplicado aos estudantes durante a pesquisa, David identificou as razões pelas quais os alunos não gostam da área e, consequentemente, os motivos pelos quais se auto-excluem da matemática. “Uma prática de ensino humilhante ou sua falta de individualização pode levar à auto-exclusão, que acaba sendo intensificada pela forma de ensino”, explica David. Então, se o problema está na escola, como pensar em formas de melhorar o ensino e deixar a matemática mais interessante para os estudantes? O que está sendo estudado nessa área para que os alunos não se auto-excluam antes de terem a chance de conhecê-la?

Explorar sem sair da escola

Quando uma professora do ensino fundamental sentiu que seus alunos estavam pouco participativos nas aulas, percebeu que era hora de agir e mudar. Estamos falando de Lucimar Mascarin, que é professora de matemática em uma escola estadual de Divinolândia, no interior de São Paulo, e formou-se no Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT), no ICMC, em setembro deste ano.

Em sua tese, ela realizou uma pesquisa-ação com alunos do 9º ano de sua escola, em que desenvolveu técnicas lúdicas e exploratórias para melhorar o ensino matemática. Mais do que mostrar que é preciso mudar algumas técnicas de ensino, sua tese demonstra que não precisam ser realizadas atividades complexas para aumentar o engajamento dos alunos. A escolha da classe foi feita com base em dois motivos: a dificuldade em aprender matemática e o desejo de ter aulas diferentes. “No geral, eram alunos que, em questão de aprendizagem, apresentavam grande potencial de evolução. A sala iniciou o ano letivo com pouca participação, mas após alguns meses já conseguiam se organizar melhor e participar da rotina”, afirma Lucimar.

Alunos de Lucimar jogam o trigominó – Foto: Jornal USP

O enfoque de sua pesquisa foi a trigonometria e, para isso, ela desenvolveu diversas iniciativas. Entre elas, estava a criação de triângulos em papel para compreender os conceitos de relação entre triângulos e a realização de atividades experimentais fora da sala de aula. Ela levou os alunos para diversos lugares da escola com o objetivo de medirem a altura das construções e postes, utilizando um monolito confeccionado pelos próprios estudantes. Com as informações adquiridas, eles voltaram à sala de aula para realizarem os cálculos e, assim, comprovarem teorias.

Lucimar também convidou o pai de um dos alunos, que é marceneiro, para explicar como utiliza conceitos matemáticos em sua profissão. “Com essas atividades, os alunos puderam relacionar a trigonometria com problemas da vida prática, gerando significados culturais para os conhecimentos escolares. Além disso, com as entrevistas, puderam confirmar o uso da matemática na prática profissional”, explica.

Fora da sala de aula, a professora também fez com que os alunos medissem superfícies circulares, para que calculassem circunferência e diâmetro e, assim, compreendessem a teoria na prática. Já dentro da sala de aula, Lucimar levou o jogo “trigominó”, uma espécie de dominó onde as peças possuem funções trigonométrica. Entretanto, apesar dos resultados positivos, Lucimar alerta para a forma com os métodos devem ser empregados: “esse tipo de abordagem toma um tempo considerável para trabalhar os conteúdos matemáticos. Por isso, devem ser mesclados a outras metodologias, pois cada uma tem seu benefício. Cabe ao bom professor diagnosticar, avaliar e tomar essas decisões”. Essas experiências também introduz o aluno na Estatística, como construção de leitura de tabela, moda e media com finalidades práticas.

Com informações do Jornal da USP.

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Manual traz orientações para escrever a redação do Enem

Cartilha do Participante – Redação no Enem 2017 já está disponível no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). As regras para a redação não foram alteradas em relação ao ano passado, mas o manual deste ano foi aprimorado para tornar a metodologia de avaliação da redação mais transparente, segundo o Inep. Também está mais evidente o que se espera do participante em cada uma das competências avaliadas. O manual divulgado nesta segunda-feira (16) detalha todas as competências avaliadas e explica quais critérios serão utilizados nas correções dos textos. O guia também traz oito redações que obtiveram pontuação máxima no Enem 2016, com comentários.

Neste ano, a prova do Enem será realizada em dois domingos. A redação será no primeiro, no dia 5 de novembro, junto com as provas de linguagens, códigos e ciências humanas. No dia 12 de novembro será a vez das provas de ciências da natureza e matemática. O exame será aplicado em 1.724 municípios, para 6.731.203 inscritos. Com informações da Agência Brasil.

Festival de Linguagem Eletrônica permite ao visitante teste sensoriais

Já está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, a aguardada exposição interativa ‘FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica’. Com o tema ‘A arte Eletrônica na Época Disruptiva’, o visitante tem à sua disposição obras que possibilitam interação, imersão e acesso à imersão nas novas tecnologias. Na FILE, é possível tocar, pular, balançar, imergir, jogar e brincar com as instalações. Além disso, ser embalado a vácuo, mudar de cabeça e balançar em um mundo real e virtual ao mesmo tempo são algumas das experiências que aguardam os visitantes. No CCBB Brasília, 12 de outubro a 10 de dezembro. Terça a domingo, das 9h às 21h. Entrada franca.

Mais informações: http://culturabancodobrasil.com.br/programacao/distrito-federal

Dia C da Ciência Brasileira

Diversas instituições de ensino superior vão realizar um dia de atividades em escolas, museus, espaços públicos, espaços institucionais próprios e externos, para mostrar à comunidade o conhecimento produzido pelas instituições de ensino e pesquisa, e como esse conhecimento modifica a vida das pessoas. Estas atividades ocorrerão no dia 25 de outubro, a quarta-feira da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT).

Olimpíada de Linguística

Mais de 5 mil candidatos devem participar da primeira fase da 7ª edição da Olimpíada Brasileira de Linguística (OBL) que começa nesta quarta-feira (20). Normalmente restrita a alunos com formação até o ensino médio, o torneio deste ano abre a chance de participação de todos os interessados. A exemplo da edição anterior, a participação nessa primeira fase é online. Para isso, os interessados podem entrar na página da olimpíada na internet ou baixar o aplicativo no tablet ou em smartphones.

Quem não se inscreveu ainda tem chance de se candidatar para o teste. O torneio prossegue até o próximo dia 24. A primeira prova terá 24 questões a serem respondidas em três horas. Quem conseguir acertar dois terços estará, automaticamente, classificado para a segunda etapa que ocorrerá no dia 21 de outubro, quando o certame será presencial e em local próximo do candidato. No segundo desafio, os concorrentes enfrentarão um teste que exigirá maior profundidade de raciocínio e textos mais longos para buscar, em quatro horas, as respostas à seis questões.

Sessenta classificados vão para a terceira etapa, prevista para abril de 2018, quando haverá a imersão de uma semana para a escolha de oito finalistas. Os finalistas poderão disputar a olimpíada internacional marcada para julho do próximo ano, em Praga, na República Tcheca.

 

Programa de bolsas de pós-doutorado na Alemanha abre seleção

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) divulgou o Edital nº 36/2017 do programa CAPES/Humboldt. Parceria com a Fundação Alexander von Humboldt (AvH), o programa concede bolsas de pós-doutorado (estágio pós-doutoral) e pesquisador experiente (estágio sênior) para estudos na Alemanha em todas as áreas do conhecimento. Está prevista a concessão de até 15 bolsas em cada uma das seis chamadas nas duas modalidades.

Os candidatos precisam, entre outros requisitos, ter nacionalidade brasileira ou visto permanente de residência no Brasil; possuir o título de doutor, conforme a modalidade pretendida: a) pós-doutorado: título de doutor obtido há menos de quatro anos; b) pesquisador experiente: completado há menos de doze anos; ter fluência em inglês ou alemão; não ter residido na Alemanha por 12 meses ou mais no período de 18 meses anterior à inscrição; residir no Brasil no momento da candidatura. Os selecionados recebem valor mensal compartilhado pela CAPES e a AvH; auxílio deslocamento; auxílio instalação; auxílio seguro-saúde. Mais informações e cronograma aqui.

Estudantes representarão o Brasil em olimpíadas de astronomia no exterior

Os estudantes Bruno Gorresen Mello (PA), João Vitor Guerreiro Dias (SP), Nathan Luiz Bezerra Martins, Pedro Pompeu de Sousa Brasil Carneiro e Vinicius Azevedo dos Santos (CE), vão representar o Brasil na 11ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, na sigla em inglês), que acontecerá em Phuket, na Tailândia, em dezembro. Na edição anterior, realizada na Índia, o Brasil obteve três medalhas de bronze, sendo uma delas inédita na competição em equipe, além de três menções honrosas.

Outros cinco estudantes (Bruno Caixeta Piazza, Danilo Bissoli Apendino, Fernando Ribeiro de Senna, Henrique Barbosa de Oliveira e Miriam Harumi Koga, todos do estado de São Paulo) integram a seleção brasileira que disputará a 9ª Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), no Chile, em outubro. No ano passado, o evento ocorreu na Argentina e os brasileiros conquistaram o 1º lugar no quadro geral de medalhas, com duas de ouro, duas de prata e uma de bronze. Mais informações: Agência Brasil.

Feira de startups movimenta a capital federal

No dia 07 de julho, sexta-feira, das 13h às 19h, será realizada no Centro Universitário IESB, campus Giovanina Rímoli, quadra 609 Asa Norte, a Demo Day Cotidiano, uma feira de startups que já virou tradição na capital federal. A entrada é gratuita e aberta ao público, mas para assistir ao evento é preciso se inscrever no https://www.sympla.com.br/demoday-camp3-cotidiano__159407

Ao todo, 30 startups participarão do Demo Day e, desse número, nove foram selecionadas para participar da primeira rodada do processo de aceleração 2017. A maioria dos trabalhos da Cotidano é feita no IESBLAB e em salas de aula do curso de Administração da instituição. “Essa parceria foi construída com o objetivo de promover o empreendedorismo das startups incubadas dentro do IESBLAB e, por sua vez, ser um centralizador de ações empreendedoras junto aos alunos do IESB”, destaca o professor Fernando Dantas, coordenador do curso de Administração e do IESBLAB.

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