Os desafios do novo Ensino Médio e Educação Integral no Brasil

Profissionais da área de educação participaram esta semana, em Brasília, do Seminário Perspectivas e Proposições para a Educação Integral:  Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.  Realizado pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), por meio da Subsecretaria de Educação Básica (COEIF/COEJA), o encontro debateu sobre a reforma do Ensino Médio, as concepções da educação integral e a socialização de experiências pedagógicas bem sucedidas em âmbito nacional.

Durante o evento, o blog Edson Machado conversou com Wisley Pereira, Coordenador Geral de Ensino Médio da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).

Quais os principais desafios para a reforma do Ensino Médio?

O novo Ensino Médio aborda o fomento ao tempo integral, o incentivo às formações técnicas e a flexibilização do currículo, que deixa de ter 13 disciplinas obrigatórias e passa a ter apenas três. Isso permitirá aos estudantes optarem pelas áreas do conhecimento e itinerários formativos que estejam de acordo com suas vocações. É um trabalho de ampliação gradual da jornada escolar conforme o Plano Nacional de Educação (PNE). Desta forma, fazer a lei foi muito importante, mas a parte mais difícil será a implementação do currículo de acordo com a necessidade de cada secretaria estadual. A carga horária passará de 2.400 horas mínimas para 3.000 horas, sendo o limite máximo de 1.800 horas para a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e as demais, mínimo de 1.200 horas, serão voltadas para o currículo flexível, customizado e pensado por cada unidade escolar, conforme sua capacidade de instalações e realidade dos estudantes.

O novo ensino médio já começa em 2018?

Muitas secretarias devem começar projetos pilotos para o próximo ano. O próprio GDF já está se organizando, aguardando a BNCC para pensar em um ensino que tenha significado e que possa aproveitar melhor as capacidades de instalações do DF. No Guará, por exemplo, está sendo construída uma escola de formação técnica e profissional de formação. Portanto, é um momento de organização e mudança. Esperamos que até 2019, todas as escolas da rede pública estarão aptas a colocar em prática o novo Ensino Médio.

O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece que, até 2024, 25% das matrículas sejam de educação integral. Como as escolas brasileiras estão se preparando para isso?

O MEC tem três políticas de ensino em tempo integral. Uma na educação de Ensino Fundamental, com o programa Mais Educação, que já atendeu mais de 4.800 municípios e teve investimento que ultrapassou R$ 900 milhões; outro programa é o Ensino Médio Inovador, que também amplia a permanência do estudante na escola, e o terceiro são as escolas de ensino médio em tempo integral, do programa Fomento, com uma transferência de recurso de 2 mil reais por aluno matriculado no ensino médio. Só neste último, o MEC investirá mais de 1 bilhão de reais nos próximos anos. Lógico, estamos fazendo um esforço muito grande para atingirmos as metas do PNE, mas sabemos que são metas audaciosas que, com a participação dos municípios e estados, se não atingirmos, chegaremos muito perto.

Além da verba, quais os desafios para a implantação do ensino integral no Brasil?

O grande desafio é colocarmos todos na mesa para discutirmos que currículo precisamos fazer. E como essa responsabilidade é do sistema de ensino, ele precisa envolver os estudantes e os professores para desenhar um currículo que atenda a especificidade de cada escola. Não é simples, nem fácil, mas é possível construir um ensino médio muito melhor ao que estamos praticando, garantindo qualidade.

E como vocês pretendem trabalhar a questão do mercado de trabalho no ensino integral?

Um grande avanço da reforma é o aluno poder fazer o ensino técnico e profissional dentro da carga horária do ensino médio. Ou ainda fazer um curso de qualificação. Mas tudo isso será dentro de um processo. O passo agora é fazer orientações e oferecer apoio pedagógico às secretarias para que elas entendam, de fato, como é possível construir currículos inovadores. Vamos fazer uma grande revolução no ensino médio brasileiro.

Na discussão do novo ensino médio, pouco se fala sobre o ensino fundamental 2, que é justamente onde ocorre a transição do aluno para esta nova fase. Quais os principais pontos que devem ser analisados neste período letivo?

Temos uma dificuldade em todo o percurso de formação dos estudantes e um dos grandes avanços que o MEC está fazendo para melhorar isso é a BNCC, que garante a orientação dos currículos desde a educação infantil até o ensino médio. Um percurso formativo para garantir as habilidades e competências que os estudantes têm por direito. Temos políticas públicas de alfabetização, ensino médio, mas os anos finais também são partes relevantes do processo. É ali que existe a maior evasão do nosso sistema educacional brasileiro. Estamos preocupados e criando programas que atendam e apoiam os Estados na busca de um sistema de cooperação para minimizar esses problemas, envolvendo, por exemplo, o terceiro setor, o sistema S e empresários. Precisamos entender que a educação não é responsabilidade só do governo, é um tripé. Uma responsabilidade da família, do governo e da sociedade civil.

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