Médico do Hospital Oftalmológico de Brasília realiza estudo inédito

Dr Yuji Abe

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o glaucoma é a segunda principal causa de cegueira irreversível no mundo – atinge mais de 60 milhões de pessoas acima de 40 anos – e a cada ano surgem mais 2,4 milhões de novos portadores. No Brasil, já existem cerca de um milhão de casos da enfermidade. “Quando ocorre o dano glaucomatoso, essa lesão é irreversível, já que as células nervosas não se regeneram. Dessa forma, o diagnóstico precoce da doença é fundamental para evitar a perda da visão”, explica o dr. Yuji Abe, chefe do Departamento de Glaucoma do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB).

Pensando nisso, o dr Yuji realizou um estudo inédito que investigou, de maneira prospectiva, quais regiões do campo visual (medidos através do exame da perimetria computadorizada) estão mais associadas a uma queda na qualidade de vida em pacientes com glaucoma. A pesquisa – desenvolvida na University of California, San Diego, nos Estados Unidos, sob orientação do professor Felipe Medeiros – intitulada “Associação da queda na qualidade de vida em pacientes com glaucoma e defeitos no campo visual”, recentemente foi publicada na revista Ophthalmology, periódico de maior impacto no meio oftalmológico. Por essa sua descoberta, o dr. Ricardo Yuji Abe foi homenageado com o prêmio Trabalho Internacional, no XXXVIII Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado este ano, em Florianópolis, Santa Catarina.

Ao todo, 236 pessoas com glaucoma foram seguidas por cerca de quatro anos. De acordo com o trabalho, verificou-se que a piora na sensibilidade da retina na região central inferior do campo visual – em comparação a visão periférica – está relacionada a uma queda maior na qualidade de vida no paciente. Dr. Abe e Prof. Medeiros conseguiram quantificar objetivamente essa piora, algo que até agora não havia sido feito. “A relevância do estudo está em conscientizar a respeito da importância da detecção precoce do glaucoma, especialmente em pacientes com mais de 40 – 50 anos. Ao estimular o exame oftalmológico de rotina, que deve ser realizado por oftalmologistas, o intuito é detectar precocemente a doença e iniciar o tratamento antes que ocorra a perda da função visual e, consequentemente, piora na qualidade de vida. Naqueles que já apresentam o glaucoma, este estudo reforça a importância de acompanhar o desenvolvimento da doença, através de exames oftalmológicos e exames periódicos como a perimetria computadorizada, para a monitorização adequada”, concluiu dr. Ricardo Yuji Abe.

O glaucoma afeta o nervo óptico e os danos, geralmente, são causados por um aumento da pressão dentro do olho. Mesmo assim, pacientes com níveis normais de pressão intraocular também podem desenvolver glaucoma. O tipo mais comum é o primário de ângulo aberto que, em 80% dos casos, não apresenta qualquer sintoma visual. Fazem parte do grupo de risco pacientes com histórico familiar, da raça negra e acima de 40 – 50 anos. “Não significa que pacientes abaixo dessa idade não venham a desenvolver o glaucoma. Existem alguns tipos da doença que se manifestam desde o nascimento, no caso do glaucoma congênito; ou em crianças e adolescentes, o glaucoma juvenil; e até adultos jovens, com glaucomas secundários”, ressalta o médico.

O controle da doença pode ser feito com colírios e, mais recentemente, com tratamentos a laser. Em alguns casos, é necessário se submeter à cirurgia para auxiliar na redução da pressão intraocular. Só o oftalmologista pode diagnosticar o problema corretamente por meio de exames oftalmológicos completos como a tonometria, que mede a pressão intraocular; a fundoscopia, a retinografia e a tomografia de coerência óptica, que permitem a avaliação do disco óptico e estruturas da retina e também os testes de função visual através de exames como a campimetria computadorizada. “Muitos pacientes quando descobrem que têm glaucoma já estão com a doença avançada e já perderam parte da visão. Não podemos evitar que o glaucoma apareça, mas podemos sim evitar a cegueira causada pela doença”, afirma dr. Yuji Abe.

 

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