Nenhum país da América Latina leva a sério políticas de ciência, tecnologia e inovação, avalia presidente do CNPq

hernan_chaimovich_400 (1)Nenhum país da América Latina incorpora políticas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) como políticas de Estado. É a avaliação de Hernan Chaimovich, ex-chefe de Departamento de Bioquímica da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desde janeiro de 2015. Chaimovich falou no seminário “Fronteiras da gestão em ciência, tecnologia e inovação”, realizado no dia 2 de dezembro para comemorar os 20 anos do Laboratório de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Geopi) da Unicamp. “Mas não pensem que o estudo de políticas de CT&I é inútil. É um esforço importante para que, algum dia, os países latino-americanos finalmente assumam essas políticas como políticas de Estado”, ponderou o bioquímico.

Segundo Chaimovich, é costume mostrar somente “resultados” de políticas de CT&I, mas não seus “impactos”: “É como falar que uma lavadora de roupa tinha 300 arruelas e agora tem 452. Isso não diz se a máquina lava mais branco nem se lava melhor que outra.” O presidente do CNPq ressaltou que o impacto médio – ou seja, em que medida ideias produzidas no Brasil impactam ideias em outros países – é abaixo da média mundial. O cientista também correlacionou Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com número de papers por milhão de habitantes, apontando que há uma clara barreira: se o índice não chega a .8, verifica-se baixa densidade de ciência em uma sociedade.

O IDH é uma medida resumida do progresso a longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. Seu objetivo é oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o PIB per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Foi criado pelo Pnud, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O IDH brasileiro é 744.

Segundo Chaimovich, apesar dos esforços das agências de fomento, o investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil ainda fica em torno de 1% do PIB do país. “Há 20 anos temos a expectativa de que um dia chegaremos a 2%”, disse, acrescentando que a contribuição do setor privado tem sido reduzida. Ele também mostrou que o orçamento do CNPq caiu, em termos reais, 38% entre 2002 e 2015.

Fonte: Revista Ensino Superior Unicamp.

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