Brasileiro aprovado em sete universidades americanas – inclusive Harvard – dá dicas de estudos

O estudante Eduardo Miranda Cesar, 18 anos, é exemplo de dedicação. Aluno do Colégio Militar de Brasília, ele foi aprovado em sete universidades americanas: Harvard, Yale, Princeton, Pensilvânia, Brown, Northwestern e Chicago; além das brasileiras: Universidade de Brasília (UnB), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O jovem, que terminou o ensino médio no ano passado, conquistou impressionantes 2.250 pontos de um total de 2.400 no Scholastic Assessment Test (SAT), teste para admissão na maioria das universidades dos Estados Unidos. Na segunda fase da disputa, ele gabaritou três — matemática avançada, física e química — das quatro disciplinas em que foi testado.

O blog Edson Machado conversou com o estudante. Leia o bate-papo e anote todas as dicas:

Como é seu histórico escolar?

Entrei no Colégio Militar de Brasília no 6º ano do ensino fundamental por concurso. No final do 2º ano do ensino médio fiz o ENEM e fui aprovado para o curso de Engenharia de Produção na UFRJ. Na metade do 3ª ano passei para o mesmo curso na UnB e na UFSCar. Depois, fiz o vestibular da USP e passei para Engenharia Civil. Em março deste ano, recebi minhas aprovações nas universidades americanas.

Como você avalia seu excelente resultado nos testes?

Nos vestibuares brasileiros, os resultados foram devidos à excelência de ensino que sempre tive no meu colégio, além de muita dedicação às aulas. Acredito que um bom ensino médio é fundamental. Os SATs, provas utilizadas pelas universidades americanas, foram complicados. Foi difícil coordenar os estudos para as provas brasileiras com aqueles para as provas americanas, já que a matéria é um pouco diferente. Algo que facilitou bastante foi o chamado “avanço escolar”, concedido por minha escola aos alunos aprovados em vestibulares no meio do terceiro ano. Com isso, tive o segundo semestre à disposição para me concentrar nos SATs pela manhã e à tarde nos vestibulares do Brasil. Também estudava inglês na Casa Thomas Jefferson, o que me ajudou muito.

Quais as formas de seleção são usadas nestas instituições americanas?

Basicamente, existem três “grandes áreas” de avaliação: provas, Common App e entrevistas.

As provas são o TOEFL, Teste de Inglês como uma Língua Estrangeira, que é um exame que tem o objetivo de avaliar o potencial individual de falar e entender o inglês em nível acadêmico, e os SATs, que se dividem em uma prova geral e em provas específicas. O exame geral, ou SAT Reasoning, cobra redação, gramática e interpretação de texto em inglês, além de matemática básica. Os específicos que escolhi fazer foram os de matemática avançada, química, física e espanhol.

A Common App é uma plataforma online em que você monta seu perfil como candidato. É pra lá que vão o histórico escolar do ensino médio, as cartas de recomendação de professores, atividades extracurriculares, cursos de verão, honras acadêmicas e as essays, redações em tom pessoal, diferente das que fazemos nos vestibulares brasileiros.

Depois de enviar seus dados na Common App e os resultados das provas, você pode ou não ser chamado para entrevistas. Entrevistas são geralmente feitas pessoalmente com ex-alunos da universidade que moram na sua cidade ou por skype.

Como foi sua rotina de estudo?

Minha rotina variou bastante durante meu ensino médio, o que de certa forma foi bom. Sempre fiz cursinhos, tanto pré-vestibulares como aulas avançadas de matérias específicas, embora gostasse mais dessas últimas. Uma coisa que me ajudava muito era buscar sempre uma boa posição no ranking do Colégio Militar de Brasília. Isso me levava naturalmente a uma rotina de estudos que contribuía para um bom histórico escolar, além de boa relação com professores, que são duas coisas que ajudam bastante no processo seletivo americano. Porém, nunca fui de contar horas de estudo. É importante apontar que não basta passar o dia estudando para ser um bom candidato na application. Eu me envolvi com diversas atividades extracurriculares que tinha apelo para mim, com destaque para os Modelos das Nações Unidas (Model UN).

Qual a sua expectativa nos EUA?

Espero encontrar na educação estadunidense oportunidades para explorar diversas áreas acadêmicas. Quero conhecer pessoas de diferentes culturas e me envolver em atividades ou esportes que nunca experimentei. Acho que será um período de crescimento que extrapola a esfera estudantil. Com certeza uma oportunidade única.

Qual instituição vai escolher?

Harvard é minha escola dos sonhos. Eles têm cursos excelentes de Economia e Ciência da Computação. Visitei o campus duas vezes quando participei do Harvard Model United Nations em 2012 e 2013. Concluí também um curso on-line deles. Porém, minha família e eu ainda estamos avaliando outras opções, já que a questão das bolsas oferecidas também é importante. No momento, a decisão final ainda não foi tomada.

O que você vai estudar?

Penso em Economia ou Ciência da Computação ou ainda uma dupla graduação nas duas áreas.

Você disse que vários alunos do seu colégio foram estudar fora e isso te motivou. O que eles falam sobre estudar no exterior? Qual será o seu maior desafio?

O Colégio Militar do Brasil estimula mesmo a perseguição de metas. É uma escola que vai muito além da aprovação em vestibulares. Todos meus colegas que já viajaram para estudar me contam histórias de sucesso e satisfação. Ouço relatos positivos, que vão desde a excelente infra-estrutura e o contato estreito com professores de destaque, até as oportunidades de estagiar em empresas dos sonhos. O maior desafio será, sem dúvidas, a pressão acadêmica. Olhar para os lados e ver que você não é mais o melhor da turma e que a cobrança foi lá para o alto.

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