Mais Médicos: Cuba, Bolívia y otras cositas más…

Edson Machado

Faz mais de um século! Na realidade foi no ano 1910 que veio à tona o mais contundente relatório sobre o estado do ensino de medicina nos Estados Unidos. Patrocinado pela Fundação Carnegie, o relatório foi elaborado por Abraham Flexner, um professor de escola secundária que não era médico. Depois de conhecer os sistemas de ensino de outros países, Flexner concluiu que o alemão era o mais eficiente. Ao definir critérios e procedimentos para avaliar os cursos médicos nos Estados Unidos, Flexner se baseou nos conteúdos e métodos adotados nas escolas germânicas. Por esses padrões dentre as 155 escolas americanas então existentes muito poucas seriam consideradas adequadas. Pouco tempo depois, apenas cerca de 30 escolas sobreviveram. As que encerraram atividades tinham uma característica em comum: eram escolas particulares e isoladas, isto é, não ligadas a uma universidade.

Cerca de sessenta anos depois, após intensos debates na sociedade e no governo, o Ministério da Educação instituiu uma Comissão do Ensino Médico, composta de insignes professores da área, com a finalidade de avaliar a situação do ensino médico e as condições de funcionamento das escolas então existentes – cerca de 70 entre públicas e privadas. Em 1971 a Comissão fez entrega do seu primeiro relatório, contendo cuidadosa apreciação do processo de expansão da rede de ensino e avaliação da precariedade das condições de oferta dos cursos, examinando separadamente os ciclos básico e profissional, neste incluído a situação dos hospitais e serviços de apoio.

Embora interrompidos por algum tempo, os trabalhos da Comissão ainda geraram mais dois relatórios, o último datado de 1976.

Do ponto de vista histórico, vale a pena reler os relatórios da Comissão, pelo menos para constatar que as avaliações e recomendações de então não divergem das opiniões dos analistas sérios de hoje. Lamentável é que essas opiniões não sejam compartidas pelos dirigentes encastelados na alta administração governamental. A mais recente “novidade” é esse tal programa Mais Médicos, que conseguiu a aberração de tornar lei o que não passa de um muito esquisito arranjo entre governos, brasileiro e cubano, com a incrível intermediação de um organismo internacional. Algum dia alguém irá nos contar o que está por trás desse sórdido arranjo.

O que se sabe, porque é público, é que Cuba descobriu que “exportar” mão- de- obra semi-qualificada para países em crise é um ótimo negócio. Verdadeiras fábricas de diplomas supostamente equiparáveis aos concedidos por instituições sérias de outros países foram montadas para formar essa nova mercadoria de exportação. Este é o caso dos “médicos” agora sendo enviados aos magotes para o Brasil, mas que já passearam prestando seus serviços por vários outros países, que se saiba, realmente bem mais necessitados do que o Brasil. Parece que entre esses profissionais alguns já estão fazendo desses estágios no exterior um meio de vida e uma fonte de divisas para os Castros.

Já a vizinha Bolívia encontrou uma estratégia diferente: em vez de exportar bolivianos, importar brasileiros! Os números agora são impressionantes – são milhares de brasileiros matriculados em escolas de medicina na Bolívia. Mas essa prática teve início anos atrás, para quem se lembra, vem do tempo dos excedentes dos vestibulares brasileiros. O curioso é que, segundo a lei, esses brasileiros formados na Bolívia não poderão participar do Mais Médicos pela simples razão de o nosso vizinho precisar mais de médicos do que o Brasil. Então é assim: importamos cubanos porque eles não são necessários lá, e exportamos brasileiros para a Bolívia que deles necessita. Tem lógica, não tem?

Um argumento importante do governo brasileiro para trazer algumas centenas de cubanos e de outras nacionalidades é que os médicos brasileiros não se sujeitam a ficar em localidades subdesenvolvidas, mas os estrangeiros sim. É de perguntar se os brasileiros que se sujeitam a estudar na Bolívia não aceitariam as mesmas condições oferecidas aos estrangeiros para trabalhar nos rincões do Brasil. Eles, por certo, receberiam as mesmas bolsas sem precisar dividi-las com o governo, como terão que fazer os extorquidos cubanos. Com a vantagem de que estaríamos dando um emprego a brasileiros.

Comparando- se os números: 6.000 cubanos que viriam para o Brasil e 25.000 brasileiros que já estão na Bolívia, daria com folga para resolver o problema do nosso ministro da saúde ao mesmo tempo que daria um fôlego ao camarada Evo. Com um bom planejamento, talvez ainda poderíamos enviar alguma ajuda ao vizinho Paraguai que deve sofrer das mesmas carências. Enfim, estaríamos disseminando o modelo SUS para países amigos da América Latina com as saudações da srª Dilma. Quer mais para 2014? Aguarde o próximo capítulo desse enredo.

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