Internacionalização na educação

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Neste mês de novembro, o blog de educação Edson Machado vai fazer um especial sobre a internacionalização na educação. A ideia é abordar o tema não só pelo lado dos estudantes, mas também discutir como o professor participa deste cenário.

Na minha opinião, é uma pena que tenhamos perdido a prática de recrutar mestres estrangeiros para o corpo docente de nossas melhores universidades. Nos anos 50 e 60, lembro que chegamos a ter um escritório na Europa com o objetivo de identificar e recrutar possíveis candidatos. O governo concedia facilidades para a entrada e instalação de novos intelectuais imigrantes.

Antes disso, a Universidade de São Paulo (USP) já tinha uma experiência exitosa recrutando nos anos 30 mestres franceses e italianos que ajudaram a implantar a instituição, criada em 1934. Mais modernamente, poucas universidades federais andaram se arriscando a um movimento semelhante. A Universidade Federal da Paraíba, por exemplo, contratou um bom número de indianos que obtiveram seus doutorados na Inglaterra. Já  a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de Brasília (UnB) tiveram experiências diferentes: atraíram e recambiaram cientistas brasileiros que estavam fixados no exterior.

O Ciência sem Fronteiras também está criando uma ótima abertura para uma nova investida brasileira nesse campo. Na realidade, a idéia é fomentar o intercâmbio, isto é: “estrangeiro para cá, brasileiro para lá”. Em época em que nossas universidades já formam um número razoável de mestres e doutores, essa “troca” faz muito sentido.

O ilustre professor Roberto Meneghini, em artigo recente na “Folha de São Paulo”, argumentou com muita propriedade sobre a importância de o Brasil marcar presença num processo mais intenso de intercâmbio de pesquisadores/docentes. A pretendida internacionalização deveria estar manifestada também no desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica: profissionais estrangeiros poderiam incorporar-se a grupos nacionais para fortalecer ou dar início a novas linhas de pesquisa de interesse nacional e até internacional. Para dar credibilidade a esse esforço outra forma de internacionalização seria a criação de grupos de pares incumbidos de examinar procedimentos e conteúdos dando validade aos trabalhos assim desenvolvidos, em condições de serem submetidos às melhores revistas de prestígio internacional.

Assim, a imersão internacional não ficaria apenas no âmbito discente ou número de alunos, mas seria estendida à dimensão da docência.

Edson Machado

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