Mais Médicos: De onde? Para onde?

Por Edson Machado

A primeira rodada de seleção de médicos e de municípios que participarão do programa Mais Médicos foi concluída sem nenhuma surpresa: Muitos profissionais pré-inscritos não confirmaram participação e muitos municípios interessados não foram escolhidos, portanto, continuarão sem médicos.

A ministra Ideli Salvatti, no entanto, acha que essa “falta de interesse” é demonstração inequívoca de que não temos médicos em número suficiente para suprir os municípios e regiões menos assistidos, o que deveria ser a preocupação maior do governo. Bem, ainda não sabemos qual será o interesse dos profissionais estrangeiros, mas já há sinais de que não será muito grande, ou pelo menos não o suficiente. Talvez num futuro não muito próximo, com a anunciada criação de novos cursos e o aumento de vagas nos já existentes, essa lacuna possa ser preenchida. Mesmo que haja acordo quanto à duração do curso médico, é provável que seja mantida a exigência de residência obrigatória com duração de um ou dois anos. É claro que essa exigência, na prática, implica extensão do curso médico de seis para sete ou oito anos, o que não condiz com a “urgência” que o governo pretende atribuir ao preenchimento das 15.400 vagas que seria a demanda já manifestada pelos municípios.

Por outro lado é preocupante não saber de onde estão vindo os 3.800 médicos brasileiros já aceitos e designados para as localidades escolhidas. Será que eles não farão falta nos locais de onde estão saindo? Para “vestir um santo, despe-se outro”?

E o aumento das vagas de residência visará apenas os programas nas chamadas áreas básicas? Será que os responsáveis pelo programa sabem que estas já são as áreas melhor atendidas pelas residências já existentes? Segundo o Conselho Federal de Medicina, quase a metade das vagas oferecidas são exatamente nas áreas básicas! Faltam profissionais é nas áreas mais especializadas, exatamente aquelas nas quais são poucas as instituições com condições para oferecê-las.

Enfim, nem tudo são flores no caminho daquilo que vem sendo apontada como a mais importante iniciativa do governo Dilma para dar uma resposta à voz das ruas.

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