Precisamos de mais médicos?

Por Edson Machado

Hoje o post é sobre a ideia do governo de “importar” seis mil médicos cubanos, pagando não se sabe como, para auxiliar na expansão do nosso próprio sistema de formação.

O assunto é quente e está sendo tratado nas mais prestigiosas revistas semanais e importantes jornais. Até o órgão profissional dos médicos já se posicionou contra.

Mas sobre o assunto, pelo menos três perguntas podem ser logo colocadas: Por que seis mil? Por que só médicos? E por que só cubanos? Dada a falta de informações, as respostas têm que ser “chutadas”.

O número deve ter resultado da análise do governo sobre a escassez de médicos em determinados municípios ou regiões de baixa ou média renda. Anteriormente já comentamos aqui sobre a debilidade dessa análise.  Note-se que seis mil é mais ou menos a metade do número de médicos que o Brasil forma por ano. Mas o número também pode estar limitado pela nossa capacidade de “pagamento” da importação. Consta que o governo pretende investir R$ 8.000,00 por médico, dos quais R$ 6.500,00 como pagamento ao “exportador” (leia-se, o governo de Cuba) e os restantes R$ 1.500,00 ao profissional internalizado.

Também não se sabe se os seis mil médicos virão todos num único lote – caso em que o governo cubano embolsará R$ 39 milhões de uma só vez – ou se irão chegando aos poucos. Nem mesmo para onde serão enviados. O lógico é que vão trabalhar em localidades nas quais os profissionais brasileiros não ficam, devido as precárias condições. Mas será que os cubanos aceitarão viver em tais condições por R$ 1.500,00 mensais?

Outra ideia é que a experiência se fará apenas com médicos porque são esses os profissionais mais necessários para lograr a melhoria das políticas sociais do governo. Por outro lado, o Ministério da Educação vem sofrendo forte pressão para conter a expansão de vagas e se possível até mesmo reduzir as vagas para ingresso nos cursos de medicina. O argumento é de que a expansão estaria induzindo forte queda da qualidade dos cursos. Supondo o argumento como procedente, era de se esperar pelo menos que os cursos cubanos são melhores do que os nossos. Mas não são! Como afirma e demonstra o próprio Conselho Federal de Medicina: menos de 5% dos médicos formados em Cuba conseguem aprovação no exame nacional de revalidação dos seus diplomas. Isto significa que em 95% dos casos, o conteúdo ensinado nos cursos médicos de Cuba fica muito aquém do que se ensina no Brasil.

Outro problema é: Por que então importar médicos de Cuba e não de outro país que demonstre melhor qualidade dos cursos? Tudo indica que vamos entrar nos campos da política e da diplomacia “onde há razões que a própria razão desconhece”.

É bom lembrar ainda que muitos brasileiros se formaram em medicina estudando em faculdades cubanas e alguns desses poderão se incluir entre os seis mil. Também temos a informação de que numa experiência semelhante, porém envolvendo números bem maiores, na Venezuela, boa parte dos “médicos” não eram realmente médicos, mas sim agentes cubanos infiltrados. Muitos teriam usado essa ponte para fugir e não mais voltar à ilha (mas isso merece outro post).

E embora mantendo os comentários acima, fomos hoje surpreendidos com a notícia de que o governo também estaria interessado em trazer médicos portugueses e espanhóis para o Brasil. Parece que a pressão dos contras está surgindo efeito.  Vamos aguardar o desenrolar desta história.

Só para avisar a turma, é bom lembrar também que há um bom número de brasileiros formados em escolas médicas da Bolívia.

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