Entrevista: Marcelo Tas fala sobre a educação brasileira

Entrevistamos Marcelo Tas durante sua participação na Feira Capital Estudante em Brasília.

Tas é jornalista e comunicador de TV. Atualmente, é o âncora do programa “CQC”, na TV Bandeirantes e autor do Blog do Tas, um dos blogs mais premiados do país.

Entre suas obras destacam-se o repórter ficcional Ernesto Varela e as séries infantis Rá-Tim-Bum (TV Cultura). Ele também participou da criação do Programa Legal e Telecurso (TV Globo) e do Beco das Palavras, um game interativo no Museu da Lingua Portuguesa, em São Paulo. Já ganhou vários prêmios no Brasil e no exterior, entre eles a bolsa da Fullbright Comission, quando foi artista residente na NYU – New York University, nos Estados Unidos.

Tas conversou com o blog Edson Machado sobre educação, política e CQC e disse que pensa em se candidatar em 2036. Será? Veja o bate-papo:

Ensinar pode ser divertido?

Claro que pode! E quando é divertido se torna muito eficiente. O professor que consegue levar humor para os conteúdos acadêmicos tem uma chance muito maior de conseguir transmitir o que ele quer ensinar.

O que os pais podem fazer para incentivar as crianças a estudar?

Eu tenho uma boa dica: o pai que quer convencer a criança a estudar e ler livros precisa fazer isso. Tem muito pai que reclama que o filho não gosta de ler, não gosta de estudar, mas ele também não dá o exemplo. Esse é um ensinamento que eu quero compartilhar aqui no blog: nenhum filho segue o que o pai fala, mas o que ele faz.

A tecnologia pode ajudar na educação?

Muito! Isso sempre aconteceu historicamente. A tecnologia é o eixo dos grandes avanços. O auge da Renascença veio com o Gutenberg, com o surgimento da prensa. Hoje, passamos pela mesma história, mas em uma escala gigantesca. É a disponibilidade da informação em um acesso global. As pessoas estão perdidas com tanta informação e por isso, mais do que nunca, precisamos do professor, do mediador, do cara que provoca, do editor, do jornalista, da pessoa que media o que esse público vai ler.

Você acha viável os tablets em sala de aula?

Acho esta discussão fora de lugar. Não adianta a sala de aula ter tablet e ter goteira. O tablet não é uma varinha de condão que vai fazer as pessoas aprenderem da noite para o dia. O tablet é uma ferramenta, aliás, muito poderosa e pode ser muito bem utilizado, mas não é a solução. O eixo central da educação é a qualidade do acesso a informação. Se você não tem um bom professor, um bom mediador, um cara que tenha uma boa formação e que esteja descansado, não adianta ter internet banda larga. O Brasil precisa encarar a educação com seriedade.

As redes sociais estão promovendo uma maior participação política?

As redes sociais facilitam muito a participação política. Elas ajudam de uma maneira inédita a quem nunca teve voz, nunca teve acesso, a participar do debate, mas ela não é suficiente. Nenhuma manifestação na web funciona se a população não for para as ruas para reivindicar. O mundo virtual é uma grande fantasia. É o espelho do mundo real. Mas se a pessoa não materializa esse seu desejo, não funciona.

E qual é o papel do jovem?

O papel do jovem é participar, é entender as informações, compreender o que está sendo divulgado na política, por exemplo, apontar os erros e não aparecer apenas na hora de votar. É cobrar. Temos que continuar aperfeiçoando a pontaria do voto. É papel do cidadão entender que a Câmara dos Deputados representa o povo. Que as pessoas que estão lá são nossos funcionários. Se o país não está bem, nós temos que resolver. Ficar só falando mal dos políticos não é uma maneira de resolvermos os pontos centrais do Brasil, como educação, saúde, impostos… Nós é que temos que decidir estas coisas e nós só decidimos isso com a participação política efetiva.

E sobre os 10 % do PIB na educação? O que você acha que vai acontecer?

Acho que não vai acontecer nada. Acredito que o Brasil precisa fazer um barulho muito pesado para que isso aconteça. Sou favorável a essa campanha dos 10% até como um gesto, porque creio que o investimento em educação precisa ser multiplicado. Temos que entender que já perdemos muito tempo com discurso e falo com a maior tranqüilidade. O que eu estou dizendo aqui não tem nenhuma conotação política partidária. Passamos por dois mandatos do FHC e dois do Lula e tivemos mudanças medíocres. O FHC é um professor e mesmo assim tivemos mudanças medíocres na educação. O Lula veio e pouco mudou. 10% é conta de garçom. Nos países desenvolvidos, eles não brincam em serviço na hora, por exemplo, de criar uma biblioteca. Aqui no Brasil ainda brincamos com a coisa mais séria do mundo que é a educação.

A impressão que temos ao assistir ao CQC é que o programa passa uma mensagem de que nenhum político presta. Isso não afasta a participação política dos jovens? Não traz uma desilusão?

No começo do programa acho que causamos esta impressão, sim. Porque escancaramos o Congresso Nacional de uma maneira inédita. Revelamos coisas escondidas, com humor. Mas depois, o próprio Congresso começou a perceber o benefício que teria esta exposição, porque começamos também mostrar aos jovens o trabalho desses políticos. Mostramos como funciona a Casa, como são votadas as leis e como os parlamentares se preparam para o trabalho. Aos poucos, eu creio que o programa foi levando essa discussão de uma tal maneira que hoje, até os congressistas que são criticados querem falar no microfone do CQC. Isso pra mim é um resultado fantástico da democracia. Quando alguém quer participar do diálogo, mesmo podendo ser criticado é muito bacana.

Já pensou em se candidatar?

Eu já pensei e vou lançar minha candidatura a presidência em 2036 e meu lema é: temos tempo, muito tempo (risos).

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