“O ensino superior não foi substancialmente alterado pela Internet”, diz Bill Gates

Bill Gates. Foto/Reprodução

Bill Gates nunca terminou a faculdade, mas ele é uma das figuras mais poderosas do ensino superior hoje. Essa influência vem através da Bill & Melinda Gates Foundation, talvez a mais rica fundação de filantropia do mundo, que ele criou em 2000 ao lado de sua mulher, Melinda Gates, e que fez da educação uma de suas principais missões.

Em uma recente entrevista para o Chronicle of HigherEducation, Gates falou sobre sua visão de como as faculdades podem ser transformadas por meio da tecnologia. Ele defende uma reforma radical do ensino universitário onde os alunos assistem vídeos, usem a internet para fazer a lição de casa, fazem trabalhos em grupo e outras atividades interativas. “Acredito que, em algum momento do futuro, ter um monte de pessoas sentadas em uma sala de aula para assistir a uma palestra será uma coisa antiquada”, disse Gates. Mas quanto ao presente, ele afirma que a educação superior não mudou muito com a Internet e que apesar de pequenas evoluções, a maioria das universidades têm resistido a mudanças, como ensino a distância e salas de aula virtuais. “A internet tem ajudado muito o aluno altamente motivado, que vai online, busca materiais e palestras extraclasses, mas é muito difícil ver este trabalho sendo realizado por todos dentro da sala de aula”, afirmou o fundador da Microsoft.

 

 

“Quando analisamos educação e novas tecnologias é preciso, antes de tudo, entender a materialização dessas ferramentas e saber quanto isto custa para o orçamento”, diz especialista

 

A afirmação de Gates diverge opiniões. Em uma conversa com o blog de educação Edson Machado, o sociólogo Marcello Barra, pesquisador do grupo Ciência, Tecnologia e Educação na Contemporaneidade, da Universidade de Brasília, lembra que quando se discute este assunto, deve ser levado em conta a situação econômica de cada país. “A internet tem influenciado sim a educação, principalmente de uma maneira indireta. Bill Gates é proprietário de empresas da área de tecnologia e sua opinião soa mais como um lobby para vender seus produtos”, destaca Marcello. Para ele, o uso da tecnologia na educação está crescendo e os professores precisam dialogar com esta evolução tornando as aulas mais atrativas.

No entanto, segundo o sociólogo, não é todo mundo que pode investir em computadores. “Estamos passando por uma crise mundial e isto interfere claramente neste tipo de análise”, destaca o especialista. “No início do ano, o que se discutia aqui no Brasil era o uso de tablets na sala de aula. O assunto virou febre e de repente esfriou, porque não é tão simples assim e tem um custo muito alto. Quando analisamos educação e novas tecnologias é preciso, antes de tudo, entender a materialização dessas ferramentas e saber o quanto isso custa para o orçamento. Por outro lado, temos também a questão tradicional da relação aluno e professor, que é importante para o desenvolvimento do conhecimento do estudante e nunca deve deixar de existir”, conclui o especialista.

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