Proporção de professores com nível superior cresce no Brasil

Entre 2010 e 2011, a proporção de professores com ensino superior que lecionam na Educação Básica cresceu 7,6%. De acordo com os dados do Censo Escolar 2011, divulgados na semana passada, os docentes com formação superior são maioria na Educação Infantil (56,9%), no Ensino Fundamental I (68,2%), no Ensino Fundamental II (84,2%) e também no Ensino Médio (94,1%). O Brasil tem hoje, segundo os dados contabilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), 2.039.261 de professores – um aumento de 15.513 profissionais nos últimos dois anos.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) exige que o docente dos anos finais do Ensino Fundamental e de todo o Ensino Médio tenham diploma universitário para exercer sua função. Para o Ministério da Educação (MEC), os números mostram que um processo de melhoria da qualificação dos professores em exercício na Educação Básica está ocorrendo no sistema educacional.

Como consequência natural do aumento de profissionais com Educação Superior, o censo 2011 mostra queda no número de docentes com Ensino Normal (diminuição de 3,5%) e somente com Ensino Médio (redução de 1,7%) no período de um ano. No entanto, na contramão da evolução na formação apresentada pelos dados, entre 2010 e 2011, o percentual de professores com Ensino Fundamental incompleto não apresentou melhora e continua em 0,2% do total dos professores brasileiros.

A busca pela qualidade

Para os especialistas em formação de professores, o crescimento no número de docentes que apresentam diploma universitário vai na direção do que a LDB exige. “Um número maior de professores com licenciatura é bom – a própria lei pede isso”, ressalta Elba Siqueira de SáBarretto, superintendente de Educação e Pesquisa da Fundação Carlos Chagas. Segundo ela, uma das hipóteses para explicar o crescimento no número de professores com Ensino Superior decorre justamente da quantidade de profissionais que está estudando – como o total de 380 mil detectado pelo Inep. “Esse aumento pode estar baseado na intensificação das matrículas em cursos de formação inicial de professores em serviço, oferecidos por programas do governo”, afirma Elba.

O MEC tem hoje o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), que oferece cursos superiores gratuitos a docentes em exercício nas escolas estaduais e municipais. O plano é baseado em parcerias entre o governo federal, as secretarias de Educação e as instituições públicas de Educação Superior. No entanto, a pesquisadora, que também é professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), reforça que a melhora na titulação docente não significa, consequentemente, progresso na qualidade da Educação. “É necessário que o curso superior tenha um currículo adequado e uma proposta pedagógica compatível”, afirma.

Para Elba, o fato de o crescimento estar associado a um “boom” de diplomas obtidos por meio de Educação a distância não é positivo. “A qualidade desses cursos é um ponto a ser analisado. O abandono é grande e muitos aspectos ocorrem na base do improviso”, opina. Segundo dados sobre a expansão das licenciaturas coletados pela professora Elba, as matrículas nos cursos da modalidade a distância eram 5.359 em 2001. Em 2009, esse número pulou para 427.730 – crescimento puxado pela oferta em instituições privadas de ensino.

Fonte: Todos Pela Educação

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